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17 abr

China + eu + carne de cachorro

A matéria sobre carne de cachorro no jornal Diário de SP e meu relato do lado direito.

Para quem não viu, aqui está o meu texto para o Jornal Diário de São Paulo, na íntegra, aonde conto a minha terrível experiência de ter comido carne de cachorro por engano em Shanghai. :(

AI! ERA CARNE DE CACHORRO
Por Giovanna Barbieri

Aterrizei em Xangai em agosto de 2009. Cheguei sem saber nem falar “Ni Hao” e com a esperança de o inglês já estar em um estágio evoluído naquele universo paralelo. Já tinha ouvido dizer que a cidade era umanova Nova York, a cidade futuro da Asia, com 25 milhões de habitantes, milhares de estrangeiros em trânsito e quem sabe com o mandarim há
um passo da extinção. Mas não foi bem assim. A vida de estudante que me esperava do outro lado do mundo, incluia também no pacote novas experiências: boas e outras nem tanto.
Como em todos os países, os campus universitários não se instalam na parte mais bacana da cidade. E cabe aos calouros se adaptar com o que tem ao seu redor. Na China, é igual, com um plus de culturas muito
diferentes. Na esquina, a farmácia é coreana, o chaveiro vietnamita, o restaurante da frente tem dumplings sem carne de porco feito por chineses muçulmanos, enquanto um mongoliano corta cabelos por menos de 1 dólar no meio disso tudo.
A surpresa já era esperada, mas não imaginei que chegasse ao bizarro. Na minha primeira semana, 7 dias sem comer carne já estava sendo cruel e fui com uma polonesa, tão novata quanto eu, a um destes restaurantes locais.
O cardápio era quase uma obra de arte: ideogramas e ilustrações. Nem sinal das letras do nosso alfabeto! Escolhi aleatoriamente uma das fotos que mais me agradava, com um bife, arroz e um ovo escuro. Esse ultimo foi descartado de primeira. O prato da foto mal lembrava o que estava na minha frente. O bife tinha um aspecto borrachudo, mas voilá, era a tal proteína que eu precisava e lembrei que churrasco como os nosso, ninguém teria mesmo.
Uma semana depois e estava sonhando com uma picanha. Conheci uma japonesa que já morava por lá e juntas fomos em busca de um restaurante. Passamos na frente do “fabricante” do bife borrachudo e pedi para irmos em outro. Na hora ela me disse ”Credo! Esse não vamos jamais, é coreano, e a carne é de cachorro”. Passei mal instantaneamente.
Para quem vive no centro de Xangai, tudo realmente é mais fácil. O volume de ocidentais nos centros comerciais obrigou a cidade a se adaptar e a trazer para os chineses um mundo novo, longe das regras do comunismo e das manias de Mao Tsé Tung. Pretzels, hamburguers, bistrôs franceses e até churrascarias já são comuns nos ponto turísticos.
Saindo um pouco dessa Disney, a China de verdade volta a existir. A menos de 10 kilómetros de distância e já da para lembrar que você está em um país de bilhões de pessoas, aonde a maioria está abaixo da classe média e a lei da sobrevivência ainda é cultural, infelizmente pré- histórica e soberana.

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17 mai

Prada e a sua nova comunicação visual. Yang Fudong conta com exclusividade!


Com exclusividade para o TOFUNACHINA, o artista Yang Fudong,  responsável pela direção e concepção da última campanha masculina da Prada, contou detalhes da filmagem, falou dessa nova estratégia de marketing da marca,  de suas percepções e arrematou explicando como é o olhar de um artista quando colocado frente a frente com o universo do luxo.

Yang, quando te fizeram o convite, o que foi pedido? Quais foram as exigências da Prada?
Ao me convidar para filmar a campanha, acho que o intuito era ter um artista completamente de fora do universo da moda que pudesse criar, vir com um outro olhar e ter carta branca para pensar em uma nova concepção.
Me deixaram muito á vontade. Eles não exigiram nada, não me passaram nem um briefing.
Lógico que a única exigência era que os atores vestissem as roupas da marca.

Quais foram as suas inspirações, idéias iniciais para esse projeto?

Você pode entender o significado do filme pelo título. First Spring ( A primeira primavera). Para os chineses, a primavera é o momento mais importante do ano. É o nosso ano novo, quando acontecem as grandes comemorações, as promesas para o ano que está por vir…
Nós temos um provérbio que diz: ” O trabalho do ano inteiro depende de um bom empenho na primavera”. E me basiei nele durante todo o projeto. Nunca se sabe o que vai acontecer no futuro, é um mistério. E esse  misticismo, pode ser sentido durante todo o filme.

Esse mistério chega a ser intrigante. Não se sabe se tudo aquilo é um sonho, ou realidade…
É isso mesmo. Não queria efeitos especiais, queria que as sensações fossem transmitidas como elas realmente foram filmadas. Alguns atores voam? Sim, de certa forma…mas deixei os cabos expostos. A sensação é a mesma, ou ainda mais intrigante, ao ver que eles estão se equilibrando, estão presos por fios, sendo puxados ou surgindo não se sabe da onde.

E o tempo…em que época o filme se passa?
Depende de quem assiste. Para você pode parecer anos 40, pra outro pode parecer no futuro, para mim pode ser apenas um sonho. As pessoas tem um “timing” diferente na vida. Tem gente que adianta o relógio, outros atrasam, outros estão na hora certa. Não quis impor uma data…ao assistir, você se identifica com o seu próprio tempo.

“First Spring” é o primeiro vídeo da marca que faz parte de uma nova tática de marketing. É uma outra forma de colocar emoção nas roupas. O que você acha disso?
São novas experiências. Acho interessante que grandes marcas tenham interesse em fazer parcerias com outras areas, convide artistas para olharem de forma diferente para seus produtos. É uma troca de ambas as partes. E nos dias de hoje, ficar fechado no seu próprio universo é muito limitado, não se inova, não se evolui, não se aprende e nem sem ampliam os horizontes.

E porque você acha que a China foi escolhida para dar o start a essa nova estratégia?

Acho que assim como o mundo todo, eles também estão de olho na China. A China está crescendo de forma monstruosa, o poder de consumo daqui é muito grande. Sem falar na velocidade em que tudo acontece. Todos querem saber mais sobre a nossa história, nosso mercado e o que vai acontecer no futuro. Vejo a escolha da China como um investimento e também uma forma de chamar a atenção para um país que está em ascenção.

A Prada é uma marca de luxo. Você, sendo um artista, como vê esse universo?
Eu divido o luxo em 2 partes. Uma delas é o que se pode comprar com o dinheiro. Como roupas, por exemplo.
E de forma totalmente oposta, tem o luxo completamente intangível, que não tem dinheiro no mundo que se compre.
Um exemplo? O amor, a emoção…

Qual seu próximo projeto? No que você está trabalhando agora?
Meu próximo projeto não tem nada a ver com moda. Estou trabalhando em um vídeo, com pessoas a beira da praia…

Praia? O Brasil está nos seus planos?
(Ele abriu um sorriso) Por que não!? Quem sabe…

Para quem não viu o vídeo da campanha, aqui está:

Para quem está na China, e o youtube é bloqueado, o site da campanha é: www.prada.com/firstspringmovie

PS Apesar do  duplo sentindo do nome do blog, essa entrevista que consegui fazer, prova que a China está sendo desafiadora e ao mesmo tempo um grande aprendizado!
Lilian Pacce e GNT Fashion (+) a antiga equipe que já passou por lá, essa é pra vocês! Não poderia começar esse blog se não fosse em grande estilo…colocando à prova tudo o que eu aprendi nos últimos 3 anos em que fiz parte do time! Equipe, vocês fizeram falta…

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